“Somos o que fazemos repetidamente. Por isso, o mérito não está na ação e sim no hábito." ( Aristóteles )


quinta-feira, 31 de maio de 2012

FILHOS A GENTE CRIA PARA O MUNDO

FILHOS A GENTE CRIA PARA O MUNDO
Quantas vezes eu ouvi e até reproduzi essa mesma frase para outras mães. Ela sempre me pareceu fácil de entender e aceitar enquanto me empenhava em criar filhos com autoconfiança suficiente para fazerem suas próprias escolhas e que tivessem orgulho da maneira como fariam isso, porque acredito que disso é feito a auto estima.

Nesse processo, passei anos prestando atenção em cada um dos meus três meninos, percebendo como cada um absorvia a vida. Houve tanto envolvimento, comprometimento e amor envolvido em todo esse caminho que quando, já adultos, começaram a voar, uma mistura de sentimentos foi inevitável: De um lado, a sensação de ter cumprido muito bem o maior de todos os papéis a que uma mulher se propõe e de outro a constatação de que, por isso mesmo, por tanta vida compartilhada com imenso amor e afeto deixam um vazio...fazem uma falta enorme... há uma saudade sem tamanho.E deles por nós, sem dúvida.

Parabéns a todas as mães que conseguem criar filho pro mundo, porque não é mole não, mas dá um orgulho enorme olhar pra cada um deles, constatar o que são e dizer: É meu filho.

Vivenciando essa fase de amor maternal\desapego, me deparei com um lindo texto que traduz muito bem tudo isso e que repasso. Um grande abraço e fique à vontade para fazer seu comentário.

MÃE DESNECESSÁRIA ( Marcia Neder Bacha )*
A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de uma amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha, até agora. 

Agora que a minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar voos-solo chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha interna hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe, que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. 

Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que isso significa. Ser desnecessária é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes.
Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda e um novo ganho para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida, até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeça o ciclo. 

O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância e na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Pai e mãe solidários criam os filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser desnecessários, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

Márcia Neder Bacha é psicanalista e pesquisadora da UFMS e da USP/NUPPE. Doutora em Psicologia Clínica e autora de Psicanálise e Educação – Laços Refeitos e A arte de formar: o feminino, infantil e o epistemológico.

23 comentários:

  1. É exatamente assim que penso sobre a educação dada aos filhos, boa mãe é a que prepara as asas para os filhos voarem......mas como dói!!!!

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    1. Preparar filhos felizes e fortes para o mundo é a grande oportunidade que temos de transcender a nós mesmas né Léia?

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  2. Ao ler as primeiras postagens do teu blog, deparei-me com esta da criação dos filhos e meus olhos encheram-se de lágrimas. Eu mesma sou testemunha da dedicação que empenhaste na criação de teus filhos, meus
    netos, ora ja adultos e voando cada um por si e bem alto por sinal.
    Quanta dedicação, quanto empenho e quanto amor que vocês dedicaram-lhes.
    É lindo ver assim, uma família estruturada, dando bons exemplos e vendo-os voar bem longe. Que Deus a proteja sempre com seu manto sagrado, enca-minhando-os sempre para o bem. Um abraço e parabéns pela feliz iniciativa
    esta, que ora conquistaste. Beijo da sogra Tereza.

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    1. Obrigada minha sogra, pelas palavras lindas e de valor de quem também fez o melhor que sabia para fazer de seus filhos, pessoas de bem. Beijo carinhoso

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  3. Que foto mais linda esta, deles crianças. Que bom que eu tive e tenho o privilégio de viver todas as fases desta família bonita de verdade.São uns lindos sempre e vc, minha amiga, uma mãe por vocação! Beijos mil.

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    1. E eu a felicidade de ter em você, uma pessoa de percepção aguçada, a cúmplice perfeita pra colocar em prática idéias originais de convivência familiar presente e amorosa.Beijo muiiiito carinhoso!

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  4. Eu sou também testemunha do amor que a mãe tem pelos filhos, ela sempre fez tudo por nós três, agora os filhos estão bemmm longe, mas o amor continua hehehe

    A minha mãe tem qualidades incontestáveis, ela é maravilhosa por dentro, tem uma inteligência emocional incrível e sabe tratar as pessoas como ninguém, então o orgulho é meu de dizer essa é minha mãe! Mãe TOP, parceira para todas as horas, que está sempre na melhor disposição quando os filhos precisam,

    Beijão!
    Saudade do filho Allan,

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    1. Filho querido! O segredo é o amor sempre.
      Vou confessar: Quando me vem à cabeça os Kms de distância que me separa de vocês, transfiro rapidamente meu pensamento para outra coisa. Pronto...falei meu método.
      Beijão meu filho.

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  5. Lindo !!! Marga... também assim como tua sogra, enchi meus olhos de lágrimas...parabéns !!!!! tua família é linda!!! e tua dedicação é também..!! bj

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    1. Helen querida! Mães com sensibilidade se colocam no lugar da outra né? Sua família é muito linda também. Beijo

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  6. Aquela primeira foto parece que foi tirada ontem. Como o tempo passa!
    Belas palavras tia. Beijo

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    1. Pois é meu sobrinho querido. Mais ou menos nessa época, o Bruno, que te tinha como irmão mais velho, começou a torcer pelo Cruzeiro por causa do Ronaldo, o então Ronaldinho, por influência sua que vivia falando naquele jogador...lembra???... Beijão

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    2. Lembro sim, como de outras influências também hehe. Mas a foto fica ainda mais bonita vendo eles com a camisa do nosso time, nossa cidade. Beijo

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    3. ...e o detalhe das taças ( de vidro ) nas mãos, que pegaram pra comemorar alguma vitória do tigre...rsrs

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  7. Marcela Demétrio22 de junho de 2012 14:02

    Marga, já comentei contigo o quanto adorei este post, né?! Não somente pelas belas palavras que acabam fazendo com que quem lê, se sinta e se coloque no teu lugar diante da situação.
    Mas por poder, durante este tempo de convívio com vocês, perceber o quanto és uma mãe presente, mesmo que os meninos estejam a km e km de distância. É lindo de ver como vocês formam uma família linda e cúmplice em todos os sentidos.
    E como sou bem choroninha, nas mais de três vezes que li o mesmo acabei com meus olhos cheios de lágrimas, assim como a D. Tereza e a Helen. hehe
    Adoro muito todos vocês!!! Beijos pros 5!

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    1. Ai Marcela querida, que palavras lindas. Você percebe que, pelo skipe, tento ler o olhar deles né? Se estão bem, independente de como dizem que estão...rs.
      Há...e já deu pra perceber que ainda que eu seja a mãe, tento ser imparcial nas ações de cada um né?...pelo menos, tento...rs. Obrigada, és uma linda por dentro e por fora. Beijos

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    2. Marcela Demétrio23 de junho de 2012 17:11

      Claro que percebo tudo isso!!
      E é essa imparcialidade que muitas vezes me dá liberdade de conversar contigo sobre os mais diversos assuntos. Isso é bem bom! :)
      Beijão Marga!!

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  8. Tô vivendo isso, Margarete: um misto de saudade e orgulho ao ver um homem surgir, longe dos meus olhos.
    Gostei muito do texto e de ter conhecido seus 3 "meninos".
    Vou tomar a liberdade de compartilhá-lo no blog.
    beijo!

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    1. Laély, a melhor identidade com pessoas que gosto de constatar é a de sentimentos verdadeiros e nobreza de intenções. Vou sempre te visitar no seu blog e vejo isso em você, tanto na criação dos filhos, quanto na postura diante da vida. Beijos

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  9. Oi marga!!Estou aqui na Costa Rica com o mãe no Ipad e mostrando teu blog para ela em outro computador (espero que vc tenha entendido isso,hehhehe).A Mãe ficou muito emocionada com o teu texto e disse que vai tomar isso como exemplo!:)Adoro seu Blog,estou sempre por aqui!Um beijão Marga e parabéns pela linha de pensamento,eu como filha entendo perfeitamente tuas palavras!!!
    Pura Vida!
    Samantha Knabben Barquero

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    1. Samantha querida,que feliz estou de te receber no blog e saber que, através dele, me comunico contigo e repassas pra Jane querida do meu coração. Sim, entendi o processo de amostragem...rs. Meu texto tocou o coração de mãe zelosa que ela é...ela ama muitos os filhos e ainda que distante, faz o que pode. Sempre gostei muito de ti e torço demais pra que tires de letra a dificuldade de estar criando um filho, longe dos entes queridos, mas junto do homem que escolhesses pra formar uma família com amor e presença. Sempre que puder, venha no blog. Beijos com todo carinho do mundo.

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  10. Margarete
    Lindo,forte e verdadeiro este texto.Esta parte tocou-me:(Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida, até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeça o ciclo.)
    Sinto uma grande diferença de educar um filho por cá e no Brasil.
    No Brasil a insegurança é muito grande em todos os aspectos.
    Pelas bandas de cá,filhos são nossos mas para o mundo.Muito comum os filhos viajarem com as escolas logo cedo,eu estou me preparando psicologicamente para desgarrar do meu João de apenas 6 anos que irá por uma semana com sua escola para o Sul da França.Aparti de agora todos os anos ele ficará em Junho acampado com a escola por uma semana.Nos mães,n podemos saber aonde e contacto uma vez por noite pelo msn.
    Os filhos passam a maior parte do tempo na escola por cá,começa as 8hs e termina as 15hs,podendo entrar as 6,30 e sair as 18hs,eu tenho a sorte de morar ao lado da escola de João e poder almoçar em casa com ele.Tenho dois trabalhos e por vezes 3,uma vida super corrida,me esforço o maximo para poder acompahar o dia a dia de João.Outra coisa super diferente e interessante é que n temos ajudante do lar,então todos contribuem e Joao ja me ajuda muito.Eta,fiz um jornal,bjkas

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  11. Muito interessante a educação aí, na Bélgica...Muito bom você morar próxima à escola e poderem almoçar juntos. Parece-me que as melhores conversas são ao redor da mesa. Com tanto trabalho, como é possível ter uma casa tão bonita? Ganha o trabalho de equipe de vocês e você deve ser uma super administradora pra conciliar tanta coisa, além de um bom companheiro de vida. Obrigada, Patrícia, por compartilhar um pouco da sua corrida vida e parabéns por conseguir ser tudo que é conservando a sensibilidade. Beijos!

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